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Volvo C70, 30 anos de um ícone intemporal
Há três décadas, a 30 de setembro de 1996, o Salão Automóvel de Paris foi palco de uma das maiores e mais bem-sucedidas ruturas estéticas da história da indústria automóvel. A Volvo, uma marca globalmente respeitada pela robustez e pela geometria vincadamente funcional dos seus familiares, decidia surpreender o mundo. Sob as luzes da capital francesa, nascia o Volvo C70 — o modelo que provou, de uma vez por todas, que a segurança sueca também podia vestir-se com a alta-costura de um verdadeiro Gran Turismo.
Aquele que foi o primeiro coupé de luxo da marca desde o lendário P1800, além dos menos conhecidos 262C e 780, nasceu para quebrar preconceitos. A célebre frase proferida pelo então diretor de design da Volvo, Peter Horbury, resumia na perfeição a ousadia do projeto: “Com o C70, deitámos a caixa fora, mas guardámos o brinquedo lá dentro”. Desenhado por Anders Gunnarsson no exterior e com o interior e a palete de cores vibrantes supervisionados por José Diaz de la Vega, o C70 trocou as linhas direitas por superfícies fluidas, uma linha de tejadilho elegante e uma silhueta aerodinâmica que, hoje, trinta anos volvidos, continua a despertar a mesma paixão.
Mas o C70 não era apenas um exercício de estilo. Por baixo daquela carroçaria esguia, que logo no ano seguinte daria também origem a uma aclamada versão descapotável, batia o coração mecânico da versátil plataforma P80, herdada do bem-sucedido 850. O desenvolvimento e a produção foram entregues à AutoNova, uma ambiciosa joint-venture criada em Uddevalla, na Suécia, em parceria com a conceituada preparadora britânica Tom Walkinshaw Racing (TWR). Todo o processo, desde o seu início até à produção das primeiras unidades, demorou apenas dois anos e meio. O resultado foi um automóvel que combinava a rigidez estrutural típica da Volvo com a alma desportiva dos lendários motores turbo de cinco cilindros em linha — cuja versão de topo, com 240 cv, garantia prestações de verdadeiro respeito.
Esta revolução sobre rodas não passou despercebida nem ao público, nem ao grande ecrã. Antes mesmo de muitos aficionados o verem nas estradas, já que as suas gravações envolveram um esforço adicional para que não fosse revelado antes do tempo, o C70 já tinha roubado a cena no cinema, ao protagonizar perseguições e momentos de pura elegância no filme O Santo (1997), com Val Kilmer. Uma escolha de posicionamento que funcionava, simultaneamente, como uma piscadela de olho histórica ao passado e a Roger Moore, que nos anos 60 fizera do Volvo P1800 o companheiro de aventuras do mesmo Simon Templar.
Ao longo da sua primeira geração, comercializada até meados dos anos 2000, o C70 conquistou mais de 72.000 condutores em todo o mundo — com especial destaque para a variante Cabrio, que se tornou um enorme sucesso de vendas.
Trinta anos depois daquela tarde de outono em Paris, o Volvo C70 mantém o estatuto de clássico moderno de culto, celebrando a ousadia de uma marca que se atreveu a desenhar a paixão.























